Time que renuncia a atacar não merece vencer um jogo. Isso deve estar na cabeça de qualquer amante do futebol que se preze. Defesa também faz parte do ludopédio, mas o grande momento do futebol é o gol (parafraseando aqui o aloprado Milton Neves, do qual eu assisti uma palestra e gostei muito). Talvez seja um pouco cedo para criticar Tite, o novo técnico corintiano, mas é fato que o que o treinador fez no Engenhão merece críticas.
Perto dos 20 minutos do primeiro tempo, a posse de bola rubro-negra estava perto dos 65%. Como consequência matemática, o Corinthians tinha a bola nos pés em 35% do tempo de jogo. Ainda assim, tinha um número pequeno de faltas, e menor ainda de passes errados. Ou seja, a marcação do Corinthians era eficiente nos desarmes, pouco faltosa, mas quando a equipe tinha a bola, não conseguia trabalhar, trocar passes, manter a posse.
Quando o Corinthians começou o campeonato, com Mano Menezes bancado pela diretoria e casa cheia em quase todos os jogos, tornou-se notável sua posse de bola durante as partidas, sempre maior que a do oponente. Mesmo nos jogos fora de casa, em que raramente ganhava, o alvinegro tinha a bola nos pés na maior parte do tempo, trocando passes no meio de campo, mostrando muita frieza e paciência para conseguir achar um espaço na zaga adversária. Por isso mesmo, o placar mais elástico obtido com o atual técnico da Seleção no banco foi um 4 x 2 no clássico contra o Santos, no Pacaembu. Ainda assim, uma grande exceção. Predominavam os 1 x 0, 2 x 1 ou 2 x 0. Isso quando não empatava em 0 x 0 ou em 2 x 2, ou quando não era derrotado.
Ao deixar o time com uma ótima vitória por 3 x 1 sobre o Guarani, Mano Menezes deu lugar a Adílson Batista, que estreou logo no maior clássico do estado de São Paulo. O Corinthians e Palmeiras foi morno, 1 x 1, e o time continuou do mesmo jeito que era com Mano. Porém, o ex-cruzeirense conseguiu transformar a posse de bola do time em agressividade. A constante mudança de posições entre laterais e volantes, volantes e meias, meias e atacantes, dava um dinamismo incrível para o time, ao mesmo tempo que confundia ao extremo os adversários. Com isso, vieram goleadas e vitórias, mas também veio o período mais desumano do futebol brasileiro. A partir da 15ª rodada, quando o Corinthians parou em Rogério Ceni e fez “só” 3 no clássico contra o Tricolor paulista, as semanas começaram a ter dois jogos. A maratona durou até há pouco, e o Corinthians sofreu com desfalques, expondo o seu elenco até certo ponto frágil. Peças de reposição não estavam à altura do estupendo time titular, e o rendimento foi caindo.
Infelizmente, Adílson não teve paciência para passar deste momento turbulento com certa cautela e, tão logo vieram boas vitórias como a contra o Fluminense, no Engenhão, por 2 x 1, ou como a contra o Santos, na Vila Belmiro, por 3 x 2, e o técnico quis impôr o seu estilo de jogo no time. O certo seria esperar até o fim do campeonato, como bem disse PVC. Continuar com o ótimo trabalho, com uma grande possibilidade de ser campeão. Aí sim, pedir os seus jogadores, manter a ótima base, e rumar para a Libertadores com o time de sua cabeça. Mas o ex-cruzeirense não pensou assim, e logo tudo desandou. Depois da derrota “de campeão” para o Internacional, jogando muito bem no Beira-Rio e perdendo com um gol de falta de bola desviada no último minuto, o time do Corinthians tornou-se irreconhecível.
Foram seis jogos sem vencer, e foi exatamente no período mais tranquilo da caminhada alvinegra. Não adianta dizer que qualquer jogo torna-se difícil no campeonato quando o fim está chegando porque todos lutam por alguma coisa, seja pela Libertadores ou pelo título ou para escapar do rebaixamento. Levar dois gols do pior ataque do campeonato, no caso o do Ceará, em casa, e conseguir empatar somente no abafa, não é coisa aceitável para um time que quer ser campeão. Com a perda de Ralf, que faz grande diferença para a defesa corintiana, e a demonstração de impaciência de Adílson, que mandava todos os volantes e os dois laterais para frente e deixava a zaga completamente desprotegida, o Corinthians levava gol atrás de gol, e a credibilidade do técnico caía muito. Errava ainda mais quando tentava diminuir jogadores publicamente, como fez com Defederico e Paulo André, ou com Bruno César, que jogava fora da posição na qual ajudava muito mais a equipe.
Agora, o time do Corinthians está confuso. Tite entrou depois de mais dois jogos sem vitória do interino Fábio Carile, venceu o Palmeiras num clássico em que também desistiu de jogar no segundo tempo, dando a posse e o jogo para o rival. Agora, abdicou de vencer o jogo para sair com um ponto de um jogo relativamente fácil. Não tem cabimento nenhum elogiar a velocidade do Elias, voltar a colocá-lo na posição de segundo volante para que volte a ser o elemento surpresa do time, mas manter a equipe toda na defesa, dando chutão para a frente sem se preocupar em trocar passes e manter a posse de bola. É fato que ninguém espera que um volante venha lá de trás e pimba na gorduchinha! Mas um volante nunca vai chegar na área adversária se o time estiver recuado, a não ser que troque passes com a sombra até o gol. Aliás, isso sim seria surpreendente!
Minha indicação para melhor esquema corintiano, contando os desfalques, é simples. Um 4-3-2-1, com três volantes para proteger a zaga, com Elias de elemento surpresa e Jucilei ajudando Roberto Carlos na esquerda, como sempre fez. Bruno César centralizado na meia, e Defederico dando opção de jogo dos dois lados. Ele é jovem, tem vigor e é relativamente rápido. MAS MEU DEUS, PORQUE O ARGENTINO?! Sinceramente, entre Iarley e Defederico, dois jogadores que não vêm dorrespondendo muito, ao menos o gringo pode ter um lapso repentino de luz e deixar Ronaldo na cara do gol. Iarley já demonstrou que não tem potencial para isso, mesmo porque o Mister Libertadores mal levanta a cabeça pra jogar bola. (veja o esquema na figura, os números de cada jogador estão no final do post).
Não sou técnico, não sou tático, não sou jogador, nem ex-jogador. Sou um observador do futebol, e gosto de dar minhas opiniões sobre o que acontece. Tenho certeza que todos os torcedores, de qualquer time, tem um time titular em sua cabeça, que funciona perfeitamente, e nem sempre esse time é igual ao do técnico. Aliás, dificilmente bate com o usado na realidade.
É isso aí.
Corinthians:
1 – Júlio César
2 – Alessandro
3 – Chicão
4 – William
5 – Ralf
6 – Roberto Carlos
7 – Elias
8 – Jucilei
9 – Ronaldo
10 – Bruno César
20 – Defederico