Blog Trivela – O Retorno

Como se meus escassos, não por isso menos queridos, leitores estivessem morrendo de preocupação, aqui estou para avisar que volto a escrever, ainda que com regularidade desconhecida. Peço sinceras desculpas pela minha indisponibilidade somada à extrema preguiça. Ao mesmo tempo que me envergonho de afirmar que ela existe, sei que todos serão extremamente complacentes com meu estado de espírito, porque todo mundo já passou ou passa por isso.

Abstive-me das discussões quentíssimas do ano passado, e por isso me entristeço. Por pura formalidade, faço um resumo talvez desnecessário. Foi pênalti no Ronaldo, os cruzeirenses se empolgaram muito com as reclamações e erraram muito e o Fluminense foi campeão merecido, embora o Corinthians tivesse muito mais condições se não fosse o ridículo período de 21 pontos disputados e apenas três contados na tabela. Fora isso, acho que não tem mais muita coisa pra comentar. Ah, sim! Messi era o melhor jogador antes da Copa, e continua sendo o melhor jogador do mundo. Prêmio justo, embora eu acreditasse que Iniesta levaria a bolinha dourada pra casa pela campanha da Fúria no Mundial da África. Acho que isso só mostrou como o torneio da FIFA não é mais tão importante. Afinal, depois de ser levado para a Rússia e depois Catar, nada mais natural do que o mundo perdeu um pouco o interesse no que se tornou o maior caça-níqueis do mundo.

Falando agora de 2011… o que tenho a falar de 2011? Como em qualquer outro ano anterior, os times brasileiros tem períodos de pré-temporada minúsculos para começar a jogar nos estaduais inchados e ligeiramente inúteis. Sobrevivem pelo “glamour” históricos e pelo interesse das federações, porque aos poucos a torcida vai abandonando mais e mais campeonatos como o paulistinha. Certamente o carioquinha 2011 será bem valorizado esse ano. Afinal, conta com o último campeão nacional e com o grande astro Ronaldinho, que protagonizou no começo desse ano um leilão ridículo, que só serviu para rebaixar os clubes brasileiros, que teimam em se diminuir em situações com as quais não sabem lidar. Porém, não vai passar muito disso. Torcida nos jogos do Flamengo, e apenas neles.

Agora, para começar bem o ano, um elogio do fundo do coração aquele que soube cuidar de seu preparo físico durante toda a carreira e hoje, aos 37 anos, colhe os frutos de tal determinação. Fiquei muito feliz, como apreciador do bom futebol, de ver o que Roberto Carlos fez no primeiro tempo do jogo entre Corinthians e Portuguesa, inaugurando a temporada 2011 do Pacaembu, no domingo. O gol olímpico, repentino e totalmente imprevisível, coroou uma ótima atuação, contrastante com a de seu companheiro quatro anos mais novo, Ronaldo, que arriscou, nas minhas contas, um único chute, embora tenha sido antecedido de um lindo corte, mesmo com toda aquela protuberância por baixo do uniforme.

 

Pra começar 2011!

É isso aí!

Entre ausências e presenças, boa lista contra os hermanos

Atrasado? É, um pouco…

Porém, nunca é tarde para falar de algo tão pertinente como a mais nova convocação de Mano Menezes para a nossa Seleção, que voltou a de fato ser nossa, e não de poucos que se comprometem. Agora, só falta voltar a jogar perto de nós, conosco, como há um tempo não se faz. A situação piora um pouco quando nos lembramos de que o Brasil não participará das Eliminatórias. Isso significa que a CBF não mais terá que ser obrigada a jogar por aqui, em território tupiniquim. Afinal, se fosse permitido, ele levava os jogos das Eliminatória para longe daqui, na Inglaterra ou no Oriente Médio, hoje maior fonte de renda. Entretanto, para aqueles que sempre semearam esperanças de ver a Seleção novamente por perto sem ser por obrigação, ano que vem volta a ser realizada a Copa Roca, que consiste em dois jogos por ano entre Brasil e Argentina, que, pela lógica serão jogados aqui e lá. Neste torneio, apenas jogadores “locais” serão convocados. Argentinos que jogam na terra do tango e brasileiros que jogam na terra do samba.

Mas o amistoso do dia 17 de novembro será “normal”. Nada de restrições quanto a jogadores que jogam em seus países, na Europa, no Japão ou que disputam a fortíssima liga de futebol de Camboja. Também é bom deixar bem claro que no dia 17, quarta-feira, não haverá rodada do Campeonato Brasileiro, logo, os convocados que jogam no Brasil não se tornarão desfalques e consequentes problemas para seus times. Digo, não diretamente, porque jogar no Qatar durante a semana para voltar ao Brasil e jogar no domingo não deve ser fácil. Entre os supostos prejudicados, estarão Corinthians, que disputa o título, e Atlético Mineiro, que luta para sair da zona de rebaixamento. Isso tudo ainda por dar o que falar.

A lista em si é boa. Mano Menezes continua com o seu trabalho de manter uma base sólida e confiável para adicionar as peças removíveis, os jogadores de momento. Antes que o comparem a Dunga, digo que esse é o certo a fazer, como também fez Dunga. Porém, tudo deve ser feito com equilíbrio, senão todo mundo cai junto, e não tem nem Copa, nem choro e nem vela. Manter uma dupla de zaga por quatro anos é ótimo; mantê-la por oito anos, como fez Dunga com Lúcio e Juan, é melhor ainda. Mas Dunga leva esse princípio para todas as posições, e nem sempre é assim. Os jogadores de frente precisam estar em boa fase.

Algumas presenças eram há muito pedidas, e agora são comemoradas com uma boa dose de ansiedade, como é o caso do novo camisa 10 Ronaldinho. Não tão novo, afinal, era essa a camisa que o dentuço usou durante a Copa de 2006, no quadrado mágico e fracassado de Parreira. Mano Menezes disse em entrevista que o ex-gremista terá total liberdade, e que a Seleção será posicionada em campo como o Milan atual, contando ainda com Pato e Robinho, do time rossonero. Para substituí-lo na criação, caso seja necessário, uma surpresa. Douglas, ex-Corinthians e meio-campista do Grêmio, foi convocado por Mano, que só falta convocar Cristian para completar o pacote de quatro dos melhores jogadores de sua campanha vitoriosa frente o alvinegro paulista em 2009, nos títulos do Paulista e da Copa do Brasil. Elias e André Santos já estarão por lá com a amarelinha.

Porém, mesmo com surpresas, boas e imprevisíveis, algumas ausências também serão sentidas. Quem assiste a alguns jogos da Liga Espanhola, ou pelo menos acompanha um pouco por cima sabe que Nilmar está arrebentando a boca do balão lá pelas terras das castanholas. Sabe também que Marcelo, no Real Madrid e com Mourinho, está jogando demais, deixando Adriano, do Barcelona e convocado, no bolso. Para quem não tem TV a cabo, não precisa ir tão longe. Aqui mesmo no Brasil, mais especificamente no Sul, e no mesmo time da surpresa Douglas, que dormia e nem se viu ser convocado, está Jonas, artilheiro do Brasileirão com 20 gols, oito à frente do vice-artilheiro, Bruno César, do Corinthians, também boa opção e com idade olímpica. Todavia, as ausências prováveis e mais sentidas para o futebol brasileiro serão pelos nossos adversários. Conca e Montillo, muito mais o primeiro do que o segundo, não serão chamados novamente para vestir a albiceleste. Talvez pela mania já antiga da AFA, Associação de Futebol Argentina, de fazer prevalecer a convocação de medalhões, de julgar nosso campeonato como pior tecnicamente do que o de lá, e de dar preferência para jogadores mais novos ou já muito rodados na Seleção, sem dar alguma chance para maravilhosos jogadores que já passaram dos 25 anos.

A partida promete ser boa. Óbvio, quando sabemos que de um lado teremos Neymar, Robinho e Ronaldinho, enquanto do outro, Messi, e não precisa de mais ninguém para levar a Argentina ao patamar de um dos melhores times do mundo.

É isso aí!

Confira aqui a lista de convocados do Brasil:

Goleiros
Victor – Grêmio
Jefferson – Botafogo
Neto – Atlético-PR

Laterais
Rafael – Manchester United
Daniel Alves – Barcelona
Adriano – Barcelona
André Santos – Fenerbahçe

Zagueiros
Alex – Chelsea

David Luiz – Benfica
Thiago Silva – Milan
Réver – Atlético-MG

Meio campistas
Sandro – Tottenham

Ramires – Chelsea
Douglas – Grêmio
Elias – Corinthians
Jucilei – Corinthians
Lucas – Liverpool
Ronaldinho Gaúcho – Milan
Philippe Coutinho – Internazionale

Atacantes
Alexandre Pato – Milan
Neymar – Santos
Robinho – Milan
André – Dynamo de Kiev

Os erros de Mano, de Adílson e de Tite; e uma sugestão

Time que renuncia a atacar não merece vencer um jogo. Isso deve estar na cabeça de qualquer amante do futebol que se preze. Defesa também faz parte do ludopédio, mas o grande momento do futebol é o gol (parafraseando aqui o aloprado Milton Neves, do qual eu assisti uma palestra e gostei muito). Talvez seja um pouco cedo para criticar Tite, o novo técnico corintiano, mas é fato que o que o treinador fez no Engenhão merece críticas.

Perto dos 20 minutos do primeiro tempo, a posse de bola rubro-negra estava perto dos 65%. Como consequência matemática, o Corinthians tinha a bola nos pés em 35% do tempo de jogo. Ainda assim, tinha um número pequeno de faltas, e menor ainda de passes errados. Ou seja, a marcação do Corinthians era eficiente nos desarmes, pouco faltosa, mas quando a equipe tinha a bola, não conseguia trabalhar, trocar passes, manter a posse.

Quando o Corinthians começou o campeonato, com Mano Menezes bancado pela diretoria e casa cheia em quase todos os jogos, tornou-se notável sua posse de bola durante as partidas, sempre maior que a do oponente. Mesmo nos jogos fora de casa, em que raramente ganhava, o alvinegro tinha a bola nos pés na maior parte do tempo, trocando passes no meio de campo, mostrando muita frieza e paciência para conseguir achar um espaço na zaga adversária. Por isso mesmo, o placar mais elástico obtido com o atual técnico da Seleção no banco foi um 4 x 2 no clássico contra o Santos, no Pacaembu. Ainda assim, uma grande exceção. Predominavam os 1 x 0, 2 x 1 ou 2 x 0. Isso quando não empatava em 0 x 0 ou em 2 x 2, ou quando não era derrotado.

Ao deixar o time com uma ótima vitória por 3 x 1 sobre o Guarani, Mano Menezes deu lugar a Adílson Batista, que estreou logo no maior clássico do estado de São Paulo. O Corinthians e Palmeiras foi morno, 1 x 1, e o time continuou do mesmo jeito que era com Mano. Porém, o ex-cruzeirense conseguiu transformar a posse de bola do time em agressividade. A constante mudança de posições entre laterais e volantes, volantes e meias, meias e atacantes, dava um dinamismo incrível para o time, ao mesmo tempo que confundia ao extremo os adversários. Com isso, vieram goleadas e vitórias, mas também veio o período mais desumano do futebol brasileiro. A partir da 15ª rodada, quando o Corinthians parou em Rogério Ceni e fez “só” 3 no clássico contra o Tricolor paulista, as semanas começaram a ter dois jogos. A maratona durou até há pouco, e o Corinthians sofreu com desfalques, expondo o seu elenco até certo ponto frágil. Peças de reposição não estavam à altura do estupendo time titular, e o rendimento foi caindo.

Infelizmente, Adílson não teve paciência para passar deste momento turbulento com certa cautela e, tão logo vieram boas vitórias como a contra o Fluminense, no Engenhão, por 2 x 1, ou como a contra o Santos, na Vila Belmiro, por 3 x 2, e o técnico quis impôr o seu estilo de jogo no time. O certo seria esperar até o fim do campeonato, como bem disse PVC. Continuar com o ótimo trabalho, com uma grande possibilidade de ser campeão. Aí sim, pedir os seus jogadores, manter a ótima base, e rumar para a Libertadores com o time de sua cabeça. Mas o ex-cruzeirense não pensou assim, e logo tudo desandou. Depois da derrota “de campeão” para o Internacional, jogando muito bem no Beira-Rio e perdendo com um gol de falta de bola desviada no último minuto, o time do Corinthians tornou-se irreconhecível.

Foram seis jogos sem vencer, e foi exatamente no período mais tranquilo da caminhada alvinegra. Não adianta dizer que qualquer jogo torna-se difícil no campeonato quando o fim está chegando porque todos lutam por alguma coisa, seja pela Libertadores ou pelo título ou para escapar do rebaixamento. Levar dois gols do pior ataque do campeonato, no caso o do Ceará, em casa, e conseguir empatar somente no abafa, não é coisa aceitável para um time que quer ser campeão. Com a perda de Ralf, que faz grande diferença para a defesa corintiana, e a demonstração de impaciência de Adílson, que mandava todos os volantes e os dois laterais para frente e deixava a zaga completamente desprotegida, o Corinthians levava gol atrás de gol, e a credibilidade do técnico caía muito. Errava ainda mais quando tentava diminuir jogadores publicamente, como fez com Defederico e Paulo André, ou com Bruno César, que jogava fora da posição na qual ajudava muito mais a equipe.

Agora, o time do Corinthians está confuso. Tite entrou depois de mais dois jogos sem vitória do interino Fábio Carile, venceu o Palmeiras num clássico em que também desistiu de jogar no segundo tempo, dando a posse e o jogo para o rival. Agora, abdicou de vencer o jogo para sair com um ponto de um jogo relativamente fácil. Não tem cabimento nenhum elogiar a velocidade do Elias, voltar a colocá-lo na posição de segundo volante para que volte a ser o elemento surpresa do time, mas manter a equipe toda na defesa, dando chutão para a frente sem se preocupar em trocar passes e manter a posse de bola. É fato que ninguém espera que um volante venha lá de trás e pimba na gorduchinha! Mas um volante nunca vai chegar na área adversária se o time estiver recuado, a não ser que troque passes com a sombra até o gol. Aliás, isso sim seria surpreendente!

Minha indicação para melhor esquema corintiano, contando os desfalques, é simples. Um 4-3-2-1, com três volantes para proteger a zaga, com Elias de elemento surpresa e Jucilei ajudando Roberto Carlos na esquerda, como sempre fez. Bruno César centralizado na meia, e Defederico dando opção de jogo dos dois lados. Ele é jovem, tem vigor e é relativamente rápido. MAS MEU DEUS, PORQUE O ARGENTINO?! Sinceramente, entre Iarley e Defederico, dois jogadores que não vêm dorrespondendo muito, ao menos o gringo pode ter um lapso repentino de luz e deixar Ronaldo na cara do gol. Iarley já demonstrou que não tem potencial para isso, mesmo porque o Mister Libertadores mal levanta a cabeça pra jogar bola. (veja o esquema na figura, os números de cada jogador estão no final do post).

Não sou técnico, não sou tático, não sou jogador, nem ex-jogador. Sou um observador do futebol, e gosto de dar minhas opiniões sobre o que acontece. Tenho certeza que todos os torcedores, de qualquer time, tem um time titular em sua cabeça, que funciona perfeitamente, e nem sempre esse time é igual ao do técnico. Aliás, dificilmente bate com o usado na realidade.

É isso aí.

Corinthians:
1 – Júlio César
2 – Alessandro
3 – Chicão
4 – William
5 – Ralf
6 – Roberto Carlos
7 – Elias
8 – Jucilei
9 – Ronaldo
10 – Bruno César
20 – Defederico

Um não-tão-novo Paulista

Galera! Comenta para dar uma animada no blogueiro? Pode gerar discussões legais também, e até novas pautas para os posts. Lembre-se, o blog é um espaço interativo.

Não exatamente dos estaduais, mas de um em especial. Afinal, foi só a Federação Paulista que teve a manha de mudar alguma coisa na extremamente maçante fórmula de seu estadual, mesmo porque o Paulista é o que mais entedia os torcedores nos primeiros quatro meses do ano, e também o que mais cansa os jogadores. São 19 jogos encaixados caprichosamente dentro de um pouco mais de dois meses, e ainda uma série de quatro jogos de mata-mata para quem chega à não-mais-tão-grande final. Fora o recente e desvalorizado Campeonato do Interior, que pega os quatro times do interior mais bem classificados na tabela, caso não estejam entre os quatro primeiros, claro, para também encaram mais quatro jogos de mata-mata e levantar um troféu que não acrescenta em muita coisa na sala de troféus dos times. Talvez um time como o Mirassol ou Monte Azul gostariam de contar com tal prêmio localizado em sua salinha de títulos, provavelmente um pouco empoeirada, mas estes não tem estrutura para aguentar um campeonato cansativo, longo e nem um pouco vibrante, e ficam bem perto da zona de rebaixamento, quando não dentro dela, onde se afundam para o buraco da série A-2.

A reformulação do formato do torneio não foi integral, e também não vai mudar muita coisa quando se tratando do desgaste físico extremo dos atletas, além de continuar tirando dos clubes maiores a oportunidade de ter uma pré-temporada decente para que, quando entrarem no campeonato nacional (com calendário tão ridículo quanto o do estadual, senão mais), estes não sofram com muitas lesões que chegam a tirar quase um time titular inteiro dos gramados por um mês, quando não mais (ou menos também), período que pode corresponder a aproximadamente oito rodadas, se situado durante os meses de setembro e outubro, o bimestre mais desumano do esporte nacional.

Porém, para o torcedor, o campeonato fica um pouco mais atraente. Não para os torcedores em geral, mas para um número relativamente maior ao dos que se sentiam atraídos nas edições do torneio realizadas até este ano. Porque até janeiro de 2010, os quatro primeiros colocados durante o turno único de 19 rodadas se classificavam para as semifinais, disputadas em dois jogos, assim como a final. Talvez o fato de dois grandes terem ficado para fora da brincadeira neste ano fez com que a galera lá de cima repensasse o que está acontecendo. “Tem coisa errada aí! Grêmio Nômade e Santo André nos play-offs, e Corinthians em quinto lugar? Vamos mudar algumas coisas.” Pois bem, eles tem o poder, eles mudaram, e confesso que me agradou um pouco. Agora com oito classificados para as novas quartas-de-finais, e jogos únicos por mata-mata, com exceção da final, ainda disputada em duas partidas, o novo formato nos trás de volta a extrema improbabilidade apaixonante do futebol. Afinal, o oitavo colocado pode fazer 1 a 0 de pênalti no líder das 19 rodadas e já desbancá-lo nas oitavas, de forma heróica.

Talvez o motivo de tal mudança não tenha sido a ausência de dois grandes nas semifinais desse ano. Aliás, é bem pouco provável que de fato tenha sido essa a razão de tal metamorfose. Pensando por outro lado, os grande não mais dão valor ao estadual, que também não tem mais o mesmo valor de há tempos atrás. Portanto, era hora de reciclar, e colocar os times que levam um pouco a sério o torneio na disputa de alguma coisa, mesmo que seja um terceiro lugar suado e digno de virar história para contar aos netinhos. Ah!, também porque mata-mata tem um apelo público maior. Por consequência, dá mais dinheiro, tanto para os clubes como para as TV’s. Mas desse jeito, não tem problema.

Só não vejo porque usar seis árbitros. Essa regra-teste da FIFA que só serve para mascarar o conceito mais tacanho da organização, de que com tecnologia na arbitragem, o futebol viraria algo artificial, “de Playstation”, etc. Não, senho Blatter! Não, senhor Platini! Só ficaria mais justo, será que é tão difícil entender? Enfim, o problema é dos clubes, porque no Brasil, são eles mesmo os responsáveis pelo pagamento dos árbitros. Terão que reembolsar um dinheirinho a mais.

É isso aí!

Rapidinhas #2

Usando o artifício das rapidinhas mais uma vez. É prático e condiz com a preguiça dos meus últimos dias. É chato admitir uma coisa dessas, todavia, é fato que estou muito vagabundo e preciso interromper esse comportamento passivo de uma vez por todas. Enquanto não o faço, eis que os presenteio, meus leitores, com mais um post de rápidos comentários sobre o que aconteceu aí nessa última semana do esporte.

A gota d’água
Adílson já tinha usado todos os créditos que lhe faltavam. Depois de conquistar dois de doze pontos disputados, o técnico rumou com os seus jogadores para o Pacaembu, outrora caldeirão infalível, para perder mais uma. Nem mesmo o mais atleticano de todos acreditava que o seu time seria capaz de impôr quatro gols no todo poderoso Corinthians. Porém, com Moacir escalado na lateral direita, Alessandro subindo ao ataque a todo momento, e uma zaga totalmente desprotegida e formada por Thiago Heleno e o zagueiro calça-jeans William, fica difícil achar de fato incrível o placar capturado aos 20 minutos do segundo tempo. Depois do apito final, o quase-empate não salvou o emprego do técnico, que supostamente se demitiu porque não quer causar um mal danado à instituição Corinthians, que é maior que ele e etc., esse tipo de baboseira. Digo, é óbvio que é maior que ele, centenário e tudo o mais. Porém, um time que só depende de si mesmo para levantar o caneco não derruba treinador. A não ser que a história toda seja muito mais funda do imaginamos. Bem, minha intenção não é levantar suspeitas, mesmo porque ninguém sabe o que se passa entre os muros de um CT e de uma diretoria. Também porque o Timão tem muito mais chances de ganhar algo com seus jogadores jogando nas posições em que se acostumaram nos anos de sua carreira. Dizem que se Adílson assumisse o Barcelona, Messi seria lateral esquerdo, Sérgio Busquets seria centroavante e Valdés tornaria-se um meia armador improvisado.
Não dá para duvidar de nada.

Hooligans, Hooligans everywhere!
No duelo entre Itália e Sérvia, na última terça feira, pelas eliminatórias da Eurocopa de 2012, alguns muitos sérvios tomaram um pouco mais de café antes de sair de casa e enlouqueceram a arquibancada. A algazarra foi tanta que acabaram arremessando alguns sinalizadores no gramado do estádio de Gênova. Infelizmente, os jogadores pediram para que suas vidas fossem preservadas, e o jogo foi cancelado. Ora essa, quanta preocupação por nada, não? Afinal, é algo tão normal no ludopédio, por toda a face do planeta. Um outro exemplo, mais local: Vasco e Corinthians duelam hoje, pela 18ª rodada do Brasileirão. O jogo foi adiado porque inicialmente estava marcado para acontecer no dia 1º de setembro, o dia do tão esperado centenário corintiano. Nenhuma surpresa, apenas uma pequena e rotineira demonstração de falta de consideração da CBF para com os clubes. Enfim, para este duelo, foi cogitado o veto à torcida corintiana, pois os policiais morrem de medo de uma vingança por parte da Fiel. Isso porque no ano passado, pelas semifinais da Copa do Brasil, os dois times jogaram entre si, e depois da partida de ida, no Pacaembu, um integrante da organizada paulistana foi morto. Além de ter de aguentar tais atitudes dos torcedores-marginais, ainda somos obrigados a cair em si de que nossa polícia assina o próprio atestado de incompetência.

Dois sopapos… ou três?
A seleção brasileira de vôlei provou que não precisava de toda aquela vergonha para trazer o título do Mundial. Foram 3 sets a 1 para cima dos italianos e 3 sets a 0 na seleção de Cuba. Foram dois sopapos, e o terceiro veio na entrevista do líbero Mário Júnior para a SporTV. A pergunta foi simples: “Qual foi a parte mais difícil dessa conquista?”. A resposta, mais clara impossível: “Ah, com certeza foi quando tivemos que entregar o jogo para a Búlgaria. Eu não sabia o que fazer no começo, era tudo muito novo, nunca fiz tal coisa em minha carreira.”
Os medalhões, Giba e Dante, ficaram assustados, e de certa forma bravos com tal afirmação do jovem jogador. Será que voltará a ser convocado? É uma incógnita.

Comentem, galera. Dêem uma animada, uma ajudinha, uma recuperada no blog.

Valeu!

É isso aí!

Rapidinhas

Esse negócio de “Rapidinhas” foi uma solução que encontrei, para tentar comentar algumas coisas que não conseguem encher um texto tão facilmente. É importante opinar sobre a maioria das coisas que aparecem em destaque no mundo do esporte, mas nem sempre é possível falar muito sobre tais assuntos.
Que comecemos de uma vez por todas.

A corrida pelo título brasileiro
O campeonato de 2010, agora, começa a parecer com o de 2009. No ano passado, os times aparentavam não querer o título,  e o recusavam de maneira categórica, para o desespero dos torcedores. Já ouvi palmeirense dizer que perder o título do ano passado foi pior do que ser rebaixado em 2002, de tão garantido que estava o campeonato. Esses títulos começam a ser perdidos quando os times da ponta da tabela bobeam contra times da parte de baixo da mesma. Pior ainda quando se empata contra o lanterna que tem, sem precisar do auxílio de matemáticos, algo perto de 99,9% de chances de ser rebaixado. Mesmo porque o Prudente, que segurou o 1 x 1 com o Fluminense em casa, tem um time muito ruim. Porém, pior que empatar com o lanterna longe da torcida é sair perdendo de 2 x0 do 14º colocado, dentro de casa, e conseguir empatar o jogo com muito esforço e no abafa, apesar de ser dominado e ver o adversário perder algumas chances. Afinal, com 23 mil presentes no Pacaembu, o Corinthians desrespeitou a sua torcida e fez a sua pior partida do campeonato inteiro, no sábado, contra o Ceará. Sorte a dele que Fluminense escorregou no gramado encharcado do Prudentão, e que o Cruzeiro parou nas mãos de Neto, o goleiro do Atlético Paranaense, e a maior surpresa da lista de Mano Menezes. Lista feita para dois amistosos ligeiramente desnecessários, principalmente o qual a Seleção fará contra o Irã, em Abu-Dhabi. E o pior: nem caça-níquel o amistoso é! A CBF mandou seu trunfo de graça até os Emirados Árabes. Convenhamos, galerinha, isso é definitivamente MUITO estranho. Contudo, pergunto: a estranheza seria amena caso fosse realmente o caso de caça-níquel?

Arbitragem brasileira, um problema sem solução?
Sem essa de favorecimento a este ou aquele time. A arbitragem em geral é horrível, péssima, digna de indignação (!). Um gol anulado no Pacaembu, pênaltis não assinalados nas séries A e B, impedimentos não marcados, e alguns nomes na lista de suspensos. Mas de que adianta suspender meia dúzia de árbitros e bandeirinhas por um mês? Em todos os jogos, erros e mais erros de arbitragem. Para ser campeão no país, deve-se passar pelos adversários e pela arbitragem ruim. Fica difícil para qualquer um, cria um obstáculo indesejável e desnecessário. Soluções? Talvez a profissionalização da classe… e alguns tapes europeus, de preferência do campeonato inglês.

A vergonha do vôlei brasileiro
A ética desportiva tenta refletir a moral imposta pela sociedade. Isso não só no esporte, como em qualquer outro lugar, entidade ou atividade. Porém, a ética deve ser contextualizada, encaixada, adaptada, para absorver os objetivos e as lógicas de cada atividade social. O que a seleção brasileira de vôlei fez, ao entregar descaradamente o jogo para os búlgaros, não foi anti-ético, seguindo a ética desportiva, mas é entendido como imoral para a maioria das pessoas. Dessas pessoas, que acompanham os brasileiros do vôlei, que tantos títulos dão ao país e tão pouco recebem dele, a imensa maioria não entende muita coisa do esporte. Por isso, não querem nem saber se o regulamento é furado, se favorece essa ou aquela seleção, se todas as outras seleções fizeram o mesmo, durante o torneio, ou se o levantador filho do técnico estava com febre. O que eles querem é ligar a sua TV e ver a seleção jogar pela vitória. Eu concordo que foi feio, ridículo e vergonhoso, mas ouço dos jogadores a justificativa de que fizeram isso porque a taça vale todo esse esforço. Porém, até que ponto um título deve rebaixar um competidor? Melhor ainda. Uma conquista merece tal atitude de um time, que perde um pouco da dignidade perante a sociedade apenas para consegui-la?
De uma forma ou de outra, a minha opinião é que campeão não deve escolher adversários. Muito pelo contrário, deve enfrentar os melhores para provar que é o melhor dentre todos. Estes entram na História.

Dança dos técnicos
A saída levemente conturbada do técnico Paulo César Carpegiani, do Atlético Paranaense para o São Paulo, foi só mais uma das 32 mudanças de técnico durante o Campeonato Brasileiro, sem contar os interinos. Essa situação nômade dos treinadores já é uma constante no futebol brasileiro, acontece todo ano e ninguém faz nada para tentar mudar. Mesmo porque ninguém tem muito o que fazer, a não ser os próprios técnicos, que deveriam estudar mais as propostas que recebem e não aceitar a todas de bate pronto, sem ponderar vantagens e desvantagens. Além disso, salvo Mano Menezes, que foi seguir sua carreira sob as asas do Teixeirão, três das 32 mudanças foram de técnicos não-demitidos, mas contatados durante um trabalho corrente, para dirigir outro time. É exatamente o caso de Carpegiani, que recebeu proposta do São Paulo na quinta, e no domingo de manhã pediu a demissão em Curitiba para seguir à capital paulista.
Particularmente, eu acho, sim, errado, e deixo bem claro que não é anti-ético, um técnico deixar um trabalho no meio, para dirigir outra equipe. Principalmente porque evito comparar o futebol com qualquer outra vertente do mercado de trabalho, comparação usada como justificativa para que um profissional deixe um time no meio de seu contrato após receber uma proposta melhor de trabalho. O futebol mexe com a paixão de uma torcida, e acredito que esta massa merece muito mais respeito do que recebe por parte dos profissionais do futebol. Por outro lado, os treinadores vivem em uma corda bamba, pois basta uma sequência de três ou quatro derrotas para que sejam despachados rapidamente de um clube qualquer, como se fossem eles os grandes culpados de qualquer resultado, tanto os bons quanto os ruins.

Por enquanto é só, mas já aviso que estou com dois posts encaminhados, um deles sobre a tristeza que foi para o futebol brasileiro a saída de Zico da direção de futebol do Flamengo. Pior que isso, o desencanto de Zico com a política do futebol do Brasil, a qual não é, no entanto, muito diferente lá fora.

É isso aí.

P.S.: se possível, comentem e mostrem suas opiniões e críticas sobre os posts. Sempre ajuda a melhorar mais e mais os textos, para os leitores e para o blogueiro aqui!
Obrigado.

Calendário defasado

Os torcedores brasileiros já devem ter percebido há tempos como esse período da temporada pelo qual passam os times atualmente é complicado. Período em que até reclamar do técnico é ligeiramente injusto, afinal, os coitados nem tempo tem para treinar o time. Quem vem de uma boa fase técnica perde um pouco, mas tende a permanecer mais regular do que o resto dos times, que são maioria. Pior ainda para aqueles que trocam de técnico durante esse período, e que também são maioria, por mais incrível que pareça. Alguns conseguem, na base da raça e do déficit técnico de seus adversários, algumas vitórias suadas aqui ou acolá, mas passa o mês e o futebol começa a ficar vagamente sofrível.

Para quem tem serviço de TV por assinatura, a cabo ou a satélite, é fácil fugir um pouco do marasmo e ver alguns jogos do futebol europeu. É justamente quando descobrem o quão incompreensível é a situação do calendário do futebol brasileiro. Lá nas longínquas terras do Velho Continente, existe uma pré-temporada generosa, e com ela a possibilidade de um clube planejar seu próximo ano, treinar e ambientar seus novos reforços ou dar férias melhores para seus jogadores. Isso porque as (Con)Federações nacionais trabalham em conjunto com a UEFA, continental (que está muito, mas muito longe da CONMEBOL; anos-luz à frente), como também fazem politicamente os europeus, com o modelo da União Europeia, que não passa de utopia mais que praticamente impossível para os países emergentes sulamericanos da primitiva e meramente comercial Mercosul.

Algo anunciado nesta última semana evidencia ainda mais essa falta de preocupação da CONMEBOL com as Confederações nacionais, além, é claro, da eterna e já conhecida ausência total de interesse da CBF no futebol do país. A decisão da organização continental de reduzir as vagas à Libertadores do país do time campeão é um crime contra a diretoria dos clubes da América do Sul inteira, que planejaram uma temporada inteira talvez apenas com o intuito de conseguir um espacinho no pobre e violento torneio. Como fica, por exemplo, o Botafogo, que vinha com muito esforço figurando entre os quatro primeiros do Campeonato Brasileiro. Ajudado, é claro, pelo fato do G-4 ter virado G-6, mas que poderia virar G-5 se um brasileiro fosse campeão da Sulamericana. Agora virou G-3, mas pode ser G-5, ou voltar a ser G-4, ou até G-2, caso o campeão do torneio sulamericano de segunda categoria seja tupiniquim. Tudo muito complicado, não? Pergunto-me porque não tirar uma vaga de um time mexicano, que não serve para muita coisa na competição, ao invés de excluir um clube do país campeão.

Voltamos ao problema do calendário, que engloba tudo isso e mais um pouco. Pois está lá o amigo sentado em frente à sua TV assistindo ao Barcelona durante um jogo da Liga dos Campeões da Europa, e acha estranho quando o comentarista do canal esportivo diz que o time catalão foi campeão de seis campeonatos na temporada de 2009, ganhando tudo o que disputou. Foram esses campeonatos: o Campeonato Espanhol, a Copa da Espanha, a Supercopa da Espanha, a Liga dos Campeões da Europa, a Supercopa da UEFA e o Mundial Interclubes. Contando com os estaduais, o torcedor brazuca chega em algumas marcas diferentes. No máximo, serão cinco. Mas, oras, porque tal diferença? Simples.

A CBF, que não se preocupa há muito tempo em melhorar o futebol brasileiro ou em ajudar os seus times (os quais levam porrada e são frequentemente desrespeitados em competições internacionais), também não move nenhum dedo para que um clube tenha a possibilidade de jogar, por exemplo, a Taça Libertadores e a Copa do Brasil simultaneamente. Muito pelo contrário, isso é completamente impossível, porque os jogos são marcados, em parceria com a emissora do olho-que-tudo-vê, no mesmo horário e nos mesmos dias. Sim, eu sei, é impressionante, mas a influência daquela emissora não é assim tão global, porém, é claramente continental. E como todos sabemos, ela também não liga muito pro futebol, mas sim para o que ele traz ao seu bolso.

Como conclusão, podemos concordar que um clube brasileiro não pode fazer pré-temporada, não pode jogar todos os campeonatos que tem direito (o que provavelmente faz grande diferença em sua receita, com bilheteria e patrocínios), não pode trocar de técnico entre setembro e outubro, o mais turbulento do ano, não pode confiar em sua mestra CBF, que deveria zelar pelos interesses do clube e não se preocupar apenas com o dinheiro que a seleção brasileira lhe traz, e não pode confiar em seu planejamento anual, porque a qualquer momento o campeonato perde uma vaga garantida pelo regulamento oficial da competição. Rapaz, aí fica difícil.

É isso aí.

P.S.: Peço mil desculpas pelo imenso período sem nenhum post por aqui. Quando a faculdade aperta, fica bem difícil parar em frente o computador para pensar e escrever. Vou tentar, mais uma vez, manter uma regularidade de pelo menos uma vez por semana, com tentativas de mais, é claro.

Assisti ao jogo da seleção brasileira de vôlei hoje, mas como não tenho lá muito conhecimento do esporte, vou dar uns pitacos de torcedor mesmo. A seleção está passando por uma renovação bem profunda de uns tempos para cá. Mesmo assim, continua entre as melhores do mundo. Disputa o título do mundial, com certeza, mas tem que passar pela Sérvia e Búlgaria agora. Boa sorte aos garotos, aos mais velhos e ao Bernardinho, que, coitado, quase joga as muletas na quadra a cada ponto perdido ou cedido.

Jogo de campeão

Nada melhor, para começar mais 100 anos de glória, do que uma vitória de goleada, apresentando-se a 32 mil pessoas presentes in loco, e os mais de 30 milhões pertencentes à República Popular do Corinthians espalhados pelo resto do território nacional. Pois foi com a maravilhosa atuação frente o esmeraldino Goiás que o Timão começa a mostrar que é sim um grande favorito ao título.

Numa falha de marcação da defesa, como contra o Cruzeiro, o time goiano fez o primeiro gol do jogo com um belo chute do lateral esquerdo reserva do penta em 2002, Júnior. Infelizmente para ele e seu time, o titular estava em campo vestindo a camisa do outro time. Roberto Carlos deveria ter ido para a África do Sul, e mesmo com 37 anos continua sendo o melhor lateral canhoto do futebol brasileiro, em atividade e de toda a história. Com todo o espaço que tinha do lado esquerdo do ataque alvinegro, RC6 deitou e rolou no Pacaembu. Arriscou chutes, trocou passes e tabelas, além de estar voltando a cobrar faltas, sua mais que reconhecida especialidade.

Depois da expulsão do esmeraldino Amaral, o mesmo que, pode-se dizer, ofendeu o Corinthians quando este foi rebaixado, em 2007, o Goiás já não se encontrava em campo. Nenhuma novidade pra quem acompanha um pouco do campeonato nacional e sabe que os goianos não vencem há 12 rodadas. Não à toa, o clube acende a lanterna dos afogados, e muito provavelmente cairá para a segunda divisão. Fruto de brigas políticas internas entre cartolas que não estão nem um pouco preocupados com o clube, mas sim com o seu próprio bolso e poder. Mesmo com um elenco de Sulamericana, o esmeraldino vê-se derrotado e enterrado na própria ganância e descaso de seus dirigentes.

Do outro lado do campo, um time embalado pela sua maravilhosa torcida, que canta sem parar, mais ainda depois de sofrer um gol, no começo do jogo e com pane geral da defesa. A Fiel torcida não interrompe seu apoio por nada, e está muito feliz com o centenário do clube que é mais do que apenas um entretenimento. A equipe, embalada com os inúmeros cantos entoados em alto e bom som pelas arquibancadas do Pacaembu, se encontrou perto dos vinte minutos do primeiro tempo. Até lá, viam-se um pouco nervosos e ansiosos depois de terem sofrido um golaço de Júnior. Porém, souberam controlar a situação, aproveitando-se dos grandes espaços dados pela péssima defesa goiana. O Corinthians se mostrou ofensivo, rápido, veloz e incisivo, ainda mais depois da saída de Paulinho, volante, para a entrada de Defederico, meia-atacante, ainda no primeiro tempo. Mano Menezes, até onde eu sei e acompanhei o trabalho dele, nunca “queimaria” uma substituição no intervalo, muito menos no primeiro tempo. Mas com Adílson, agressivo, é diferente.

O novo técnico procura dar ritmo de jogo para jogadores antes encostados. Assim, começa a mostrar para os concorrentes ao título algo que o Fluminense já tinha mostrado há um tempo atrás: a existência de um elenco, e não apenas de um time titular. Com a bela partida de Paulinho, contra o Vitória, e as fantásticas atuações de Iarley e Defederico neste rodada, o Corinthians deixa claro que a equipe não possui apenas 11 titulares, o que é extremamente importante para que um clube seja campeão de uma competição tão longa e acirrada quanto o Brasileirão. Sem substitutos à altura dos titulares, nenhum time se sustenta e nem consegue conciliar as contusões e suspensões com boas atuações.

Amanhã, o Flu visita o Bugre em Campinas. O time do interior paulista é relativamente bom em casa, e contará com o apoio de sua torcida, que geralmente enche o tobogã quando o time joga contra adversários considerados grandes. Os últimos dois jogos do tricolor carioca foram tropeços (dois empates em casa, contra São Paulo e Palmeiras). Mais um tropeço seria muito bem vindo por parte da torcida corintiana, que dormirá um ponto atrás do líder verde-grená, e um jogo a menos. A disputa se acirra!

É isso aí.

Paixão centenária

São 100 anos.

Direto ao ponto, digo que falar do Corinthians me emociona. Não porque me liga com meu pai ou com o único avô que conheci, mas porque me revela o que realmente sou. Com o Corinthians, vou onde nunca iria em sã consciência. E sim, separo a sã consciência do corintianismo, porque este clube, este escudo, esta paixão, pode tirar qualquer um de seu estado tido como normal, ou ao menos razoável para a sociedade. O grito de gol entalado na garganta, o urro de felicidade após a conquista de um título, a sensação de estar cantando e pulando entre um bando de loucos… Vejo torcedores de outros times e sinto pena. Afinal, por mais que falem que podem ser iguais ou até mais fanáticos do que os corintianos, eu sei que eles nunca saberão o que é torcer, chorar e viver pelo Timão

Mas no aniversário da maior religião genuinamente brasileira, a intenção não é falar dos diferentes. Nem ao menos citá-los deveria ser permitido em tal dia. Essa honra deve ser reservada, guardada, para enfim ser despejada sobre o único Timão do país. Porque não importa o que digam ou o quanto diminuam, o Corinthians não precisa de título, e muito menos o corintiano. Aliás, o corintiano não precisa de nada. Em sua vida, sofrida, basta o Corinthians, por mais clichê que possa parecer. Não tem jeito, é a mais pura verdade. E sobre os títulos, pode-se afirmar o contrário. Sofrer é o verbo mais corintiano da língua portuguesa. O sofrimento, a angústia, a tristeza, só serve como agravante da suprema paixão de um alvinegro. Enquanto uns enchem o estádio somente em finais de torneios continentais, e somento com o objetivo de ganhar tal torneio para que possa se sentir superior ao próprio Corinthians, os corintianos gritam, choram e aumentam seu número durante um hiato de 22 anos e 8 meses.

A República Popular do Corinthians, maior que muitos países do mundo, conta com 30 milhões de loucos cidadãos, que hoje, à meia-noite, comemorarão. Chorarão, gritarão, cantarão e se emocionarão; lembrarão de momentos maravilhosos que passaram pelo Timão; beijarão o escudo na camisa, na flâmula, na bandeira, na bola, na pipa, na figurinha, na calça, no blusão, na meia, no boné, no chapéu, no imã da geladeira, na tela do computador, na tela da tv, no falante do rádio, na fronha estendida na cama, no adesivo colado na janela, na parede pintada no quarto, no livro, no caderno, no lápis, na caneta… Enfim, sentirão em seu coração que, com toda a certeza, mais 100, 200, 300 anos virão para este que não é o maior clube do mundo.

Não…

A maior paixão do mundo!

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“Olha a emoção, a emancipação. Olha a festa do Brasil! Você enche de lágrimas os olhos deste povo. Você enche de felicidade o coração desta gente. Corinthians, o grito sufocado de um povo! O grito do fundo do coração de um torcedor. Depois de 100 ANOS a Fiel está explodindo. [...] O Corinthians vira a explosão e o maior espetáculo do território brasileiro. Corinthians, você acima de tudo é a alma deste povo. Você vive a imagem do sorriso e da felicidade, traz as raízes do povo, Corinthians! HOJE A CIDADE É DO POVO! Tem que ter festa alvinegra! Tem que cobrir as ruas da cidade com paixão e loucura, e com felicidade, que desabrocha e contagia o povo pelas avenidas. Hoje é o verdadeiro dia do povo. Dia de cantar as alegrias e ser feliz. [...] Hoje, mais do que nunca, a cidade é do povo. FESTA DO POVO! Basílio! 37 minutos do segundo tempo… Doce mistério da vida, Corinthians! Inexplicável Corinthians! Vai buscar a alegria no fundo da alma do povo! Coringão! Basílio, Basílio, Basílio, Basílio, garoto…”

Osmar Santos – Corinthians 1 x 0 Ponte Preta – 13 de outubro de 1977
Gol de Basílio aos 37 minutos de segundo tempo, que abriu o placar do jogo, mas também o coração do corintiano, que esperava ansioso, depois de 22 anos, 8 meses e 6 dias, por mais um título

Um resumo para voltar à ativa

Peço sinceras desculpas aqueles que visitam regularmente o blog. Falta-me tempo, é verdade. Adoro escrever, mas quando a agenda não ajuda, não há o que fazer. Infelizmente, esse inchaço de compromissos se deu em uma semana importantíssima para o futebol brasileiro. O título da Libertadores, mesmo épica, é fichinha perto da conquista do Santos no cenário comercial, a parte chata do ludopédio. Não será um resumo o que tentarei fazer, mas a emissão de minha opinião de modo mais compacto.

Posso começar falando da conquista da América pelo colorado gaúcho. Depois da vitória por 2 a 1 nos gramados sintéticos de Guadalajara, os brasileiros (e argentinos) tinha a vantagem de decidir em casa o bicampeonato continental. Como motivações extras, estavam a chance de se igualar ao maior rival, Grêmio, que vive péssimo momento na zona de rebaixamento do Brasileirão, e a chance de receber a taça das mãos de Pelé, garoto propaganda do banco Santander, principal patrocinador do torneio mais cobiçado da América.
Mesmo saindo atrás perante quase 60 mil de pessoas no Beira-Rio, o Internacional não se abateu. Jogava melhor, e com o tempo, o nervosismo foi passando e o pleno domínio da partida acomodou-se nas mãos de quem de fato merecia. Particularmente, sou contra a participação de times mexicanos na Libertadores por questões um tanto quanto óbvias. É como se uma seleção de Marte disputasse a Copa do Mundo porque no planeta vermelho as outras seleções são muito fracas e incapazes de representar Marte na Liga Universal de Futebol. Certo? A federação não deveria permitir, mas como estamos falando da CONMEBOL, pode-se esperar coisa pior, como os times mexicanos já começarem nas oitavas-de-final de uma edição apenas porque uma epidemia os impediu de jogar em casa no ano anterior. Ei, espera! Isso aconteceu exatamente nesta temporada!
Enfim, um 3 a 1 maravilhoso, vitória do futebol bem jogado e estruturado por uma política de médio a longo prazo. A diretoria do tricolor gaúcho lá do Olímpico deveria prestar mais atenção nos exemplos que o rival vermelho está lhes dando. Pode-se usar como exemplo apenas o balanço entre o investimento com o departamento de futebol e o faturamento apenas com vendas de jogadores. O gasto com a parte ludopédica colorada chegou à marca de 127,7 milhões de reais. Com a venda dos artistas, o dinheiro em caixa alcançou os 176 milhões de reais (Fonte: Balanço dos clubes/Crowe Horwath RCS – Folha de S.Paulo, 18 de agosto de 2010). Ao ver esses números, deve-se ainda levar em consideração que o Internacional segurou em seu time Taison, Giuliano, D’Alessandro, entre outros. Mas também não sentirá falta deles caso estes sejam negociados, o que provavelmente acontecerá. Sandro já foi para o Tottenham por valores que, nas notícias de jornais ingleses, variam entre 17 e 31 milhões de reais. A venda de jogadores não é mais um martírio para os gaúchos da vermelhidão, que souberam criar uma política que utiliza o êxodo quase necessário de jogadores brasileiros para pagar as contas do clube, principalmente do departamento de futebol. Enquanto está dando certo, os títulos não param de vir. Desde o vice nacional em 2005, quando o Corinthians venceu o campeonato, o Internacional venceu duas Libertadores (2006, 2010), uma Copa Sulamericana (2008), uma Recopa Sulamericana (2007, e um vice em 2009), um Mundial de Clubes (2006), uma Copa Suruga Bank (2009), além de mais dois vices do Brasileirão (2006 e 2009), um vice da Copa do Brasil (2009) e dois Gauchões (2008 e 2009). Aparentemente, o negócio está dando certo.

Sobre o Neymar, o que posso falar? É uma vitória maravilhosa do futebol brasileiro, não dentro de campo, mas fora dele. Na burocracia, na economia, no psicológico de vira-lata do brasileiro. O Santos, através de seu maravilhoso presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, conseguiu vencer a soberba europeia, que manda representante atrás de representante pra observar nossos jogadores, ver se vale a pena e simplesmente levá-los. Tudo bem que para viabilizar a permanência do garoto, o Peixe viu-se obrigado a se desfazer de outros jogadores, como nos casos de Wesley e André. Mas esses quiseram sair, o que é outra pena. Na entrevista coletiva que confirmou o vínculo de Neymar com o Santos e o aumento de sua multa rescisória (de 35 para 45 milhões de euros), o camisa 11 santista disse que espera ser um exemplo para outros meninos, esperando que estes fiquem mais tempo em território tupiniquim, fazendo gols e ganhando títulos pelo time do coração. É claro que ele ficou mesmo porque o Santos fez um plano que envolve muito, mas muito dinheiro. Mas a intenção da declaração foi boa, não?
O interessante é comparar as políticas dos dois clubes citados neste post. Enquanto o Internacional aposta na venda de jogadores para o exterior, como nos casos de Pato, Nilmar e Sandro, o Santos prefere investir na permanência de suas revelações. Porém, o verdadeiro segredo de ambos é a manutenção de uma base forte, além da existência de duas dirigências profissionais e capacitadas, não chupins e infestadas de cartolas do tipo cachorro velho, que ficam andando só de paletó pra lá e pra cá, dando sorriso de político nojento e não fazendo nada pra ajudar o clube.
Com o fracasso pífio da Seleção na Copa do Mundo da África do Sul, a visão do futebol parece estar mudando aos poucos. O brasileiro voltou a gostar do futebol bonito, e as conquistas mostram isso. O sucesso repentino e merecido dos meninos da Vila no primeiro semestre, coroados com o título da Copa do Brasil, além do toque de bola consciente do Internacional, recompensados com a América, mostra que a esperança ainda existe. As convocações de Mano Menezes, duas até agora, também mostram isso. Na última, só jogadores que atuam na Europa, chamados para uma semana de treinamentos na Espanha, por ocasião da falta de adversários para a marcação de um jogo. A maior novidade foi Phillipe Coutinho, ex-Vasco e atual Internazionale, que na minha opinião não é lá aquelas coisas, além de ser mais um caso de saída precoce do país, o que pode ser considerado uma roleta. Ou o jogador vai se desenvolver bem, ou não vai conseguir se adaptar, passando a migrar pelos centros até que seja despachado de volta para o Brasil. Foi o que aconteceu com Robinho, que ainda não tem destino certo, tendo sido cogitado até em times como Fenerbahçe, da Turquia, e Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.
Além da volta do gosto de assistir o futebol bem jogado, os brasileiros começam também a se estruturar melhor, como mostrou na última semana o Santos e o Internacional, através, é claro, de resultados expressivos, dentro e fora de campo. A década que começa no próximo ano pode nos reservar coisas maravilhosas. É esperar pra ver.

É isso aí!

P.S.: no clássico carioca, 2 a 2 entre Fluminense e Vasco num belo jogo, com espetáculo das torcidas e dos times dentro de campo. Em São Paulo, passeio alvinegro em cima do tricolor, que deveria deixar o orgulho de lado e entender que time grande pode sim cair, a não ser que aprenda a se olhar mais no espelho.

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